Eu também fico indignada com algumas coisas. Aqui na minha aldeia por exemplo puseram recentemente novos ecopontos e até um óleão. Algo por que eu já ansiava há muito tempo. E tenho mesmo assim algo a apontar. Há duas coisas quer me incomodam há já algum tempo, desde que tomei a consciência de quanto a reciclagem é importante para o meu planeta e o quanto se tornaria mais simples a gestão destes bens que deitamos fora, se colaborarmos todos nesse sentido. Fico indignada cada vez que levo ao ecoponto as minhas embalagens. (Que só aqui entre nós digo, que considero totalmente desnecessárias e que preferia cinquenta mil vezes o tempo em que levavamos o nosso próprio vasilhame para a aquisição dos bens essencias, mas também sei que isso tornaria mais complicada a gestão de outras coisas. Pois bem, se em vez de terem um assunto bem gerido, preferem que a gestão de um, obrigue à criação de outro que por sua vez também necessita de gestão, se consideram que assim é mais simples, tudo bem, quem sou eu para dizer o contrário.) Foi um parêntesis um bocado grande, peço desculpa, mas é um dentro de outro, parte da minha indignação. O ecoponto Azul não merece crítica, as embalagens de cartão são as mais faceis de recolher e também as mais faceis de despejar, a abertura é grande e tem uma forma adequada. O Papelão está no primeiro lugar entre os ecopontos. Em segundo está o Vidrão. O ecoponto Verde é chato por vezes, principalmente quando uma pessoa vem depois de uma festa com 8o garrafas de cerveja, ter que as deitar uma a uma, e ter que ouvir dois terços delas no mínimo, a partirem-se em estilhaços quando caem no fundo do vidrão. O tempo que demoro a deitá-las lá para dentro, é o menos, é o minimo que posso fazer querendo participar nesta luta de recolha de resíduos, custa-me é ter que partir, objectos criados atravéz do desenvolvimento da tecnologia, e dispêndio de energia, para se voltar a despender pensamento, tecnologia, energia e mão de obra para voltar a fazê-las, nem que seja apenas pelo facto de se desperdiçar mais material. E por não ser adequado pelas regras de higiene e segurança das nossas ruas, termos que prestar tanta atenção às nossas crianças que correm pelo caminho onde acabou de passar um camião de recolha do vidrão e que deixou um monte de cacos coloridos sobre o asfalto.
A minha atenção, no entanto foca-se no ecoponto Amarelo. O Embalão está em terceiro lugar aqui. Recentemente mudaram os ecopontos lá do largo, substitiram os antigos em fibra de vidro por novos, maiores com tampas de plástico e protecções de borracha nas entradas. Não sei se eram os primeiros, ou se serão os segundos os mais mal elaborados. Para já as protecções de borracha, são as coisas menos prácticas que poderiam ter inventado, sujam-se rasgam-se, dificultam a passagem dos objectos para dentro do ecoponto pela abertura já por si demasiado estreita, e tornam prácticamente impossível não sujar as mãos enquanto se despeja a reciclagem. Tenho a certeza absoluta que os designers e engenheiros, que desenharam e escreveram em milhares de folhas, aquelas formas e materiais não levam com regularidade a sua reciclagem doméstica ao ecoponto. E é por isto que estou indignada, como é possível, com as capacidades que há actualmente de criar coisas prácticas e funcionais, criarem-se objectos de utilidade pública tão pouco práticos e tão mal pensados. Penso que já faz parte do senso comum que as formas lisas sem relevos nem proeminências equisitas, são mais faceis de limpar. Ora digam-me lá se um caixote do lixo, não é algo que necessita ser de fácil limpeza.

Os que puseram aqui no fundo da minha rua são um bocadinho melhores, mais direitos. O que continua a falhar são os tamanhos das aberturas, não consigo perceber porque as fazem tão pequenas. As dos embalões anteriores eram tão pequenas que um pacote de leite espalmado, ou um molho deles não passava pela abertura. Como é que isto é possível?! Será que é para niguém tirar coisas lá de dentro? E qual seria o problema, se alguém quisesse levar para casa algumas embalagens? Não percebo, sinceramente que não percebo.

Agora puseram estes oleões, todos bonitos, com uma fita e tudo. Tenho vários garrafões acumulados cá em casa, e eu nem sou uma pessoa que utilize muito óleo na cozinha. Tenho três garrafões, dois de dois litros, daqueles do azeite Galo cheios de óleo usado, e outro de três daqueles de óleo, em que a tampa não se enrosca, ainda por cima já está um pouco deformado, porque uma vez tentei despejar óleo quente lá para dentro – não sei bem em que estava a pensar. Óleo que acumulei em dois anos de vida nesta aldeia. Nunca soube ao certo o que lhe fazer, já tinha ouvido uma vez na rádio que podiamos entregar o nosso óleo usado em restaurantes e que aqui na zona de Sintra muitos restaurantes aderiram a esta campanha. Aqui há uns tempos ganhei coragem e fui perguntar ao Chefe do “Dente d’alho” se podia vir depejar os meus garrafões dentro do bidão de óleo usado que ele tem na cozinha. Ele olhou para mim com dois olhos muito redondos, e pensando um bocado respondeu que não havia problema realmente, se eu viesse despejar os meus garrafões dentro do bidão dele. Não me pareceu convincente, pareceu-me muito rídiculo aliás, e lá deixei ficar os garrafões ao lado do meu caixote do lixo de casa. Finalmente embelezaram a nossa praça com um oleão cor de laranja, mas eu conto-vos um segredo. O oleão tem uma porta fechada à chave, que provavelmente os homens da recolha dos óleos usados, guardam no bolço da farda, e tem uma gaveta que se abre cá em cima, onde cada cidadão pode colocar o garrafão ou garrafa de óleo usado e fechar para que a garrafa caia no fundo do oleão. Eu pergunto aqui, então, e como é suposto eu atirar os meus garrafões lá para dentro, quando tenho a certeza que o garrafão de três litros se vai abrir com o imacto no fundo do óleão, e que meu óleo usado vai escorrer pelas fendas da linda porta fechada à chave para a calçada. E que os garrafões de azeite Galo, cheios de óleo queimado, com uma tampa de rosca de duas voltas, provavelmente, também não vão aguentar o impacto, e também se vão abrir, que grande porcaria que eu vou fazer ali, mesmo no centro da minha aldeia quando for despejar o meu óleo usado. Será que ninguém pensou nisso?! Fico indignada, a sério!



