Falava forte!
Em largos passos avançava
Cercava pelo Norte, de núvens o negro céu onde eu dançava
Na luz vermelha da cidade, poucas estrelas respiravam
Pousava sobre o fundo de um poço,
A folha antes seca, agora ensopada
Faltava-me o ar de madrugada
Choravam os meus olhos pelo mar
Perdia-se na solidão a minha mão
Que segurava algo meu que lhe faltava
A emoção de baloiçar como a folha seca
Nas poças pela estrada
Perdiam-se as lágrimas pelo suor da almofada
Jogava-se de certo pela minha vez outra jogada
E o olhar corria pálido pelos objectos
Em busca de afectos
Movia-se ainda o corpo (meu?)
Na direcção do dedo apontado
E o cabelo
Ao sabor do medo
Embaraçado cada sonho
Pela realidade deste pesadelo
Eesgotavam-se as horas na cúpula do tempo
Onde caía grão a grão o fio de areia
Eu segurava-me no ar à teia da aranha
Sem esforço vão, nem artimanha
O vento frio fazia-me dançar
Pulçava-me o coração em cada veia
A recordar a lua que me fez brilhar
Um pensamento preso no azul do mar
Parecia ser razão pra continuar
O fumo espalhava-se na alma barrado em unguento
Sarava parte deste sofrimento
Prendia-se na pele o tempo enfeitiçado na areia
Escondia-se em peito firme o lamento
Fechado a cadeado na dualidade da compreenção…
Mais uma casualidade
Que fez soar no túmulo o hino pela liberdade
E eu prendia-me ao chão
Só ele nunca me falhava
Talvéz chegasse mais depressa do que se esperava
A hora de se abrir o coração
Mas por enquanto o meu peito respirava oco
Um ar repleto de poeira levantada
Num remoinho louco
D’eléctricos impulços do meu pensamento
Partículas de lixo tóxico pulverizadas de cimento
E misturadas na gravilha do betão
De que se construiu o fundamento
Se tudo fosse resunido à simplicidade entre sim e não
E se editassem dicionários, sem mas, talvez, e sem senão
Se a vida me guisse pela mão
Por linhas resctas, paralelas, sem diagonais
Eu saberia a resposta à pergunta “Então?”
Agora “Pés no chão!!!”
Falava-se tão alto que se berrava
Mas a verdade enganava a razão
E cada linha recta cruzava-se com linhas de uma multidão
Mas nunca se chegava a abrir o coração
Mais uma vez perdiam-se s lágrimas pelo suor da almofada
Até a noite se escrever na história
Como noite passada
Trazendo à memória, a existência de uma estrada
E o desconhecido a chamar
E eu que queria simplesmente descançar
Só que o tempo não parava
Chegava o Agosto nublado e chuvoso
Tão caloroso como a minha alma
Pois não te atrevas a pedir que me mantenha calma
Não foi assim que eu te conheci
Nem foi a chuva, ou o nevoeiro que me fizeram ver a luz em ti
Eu tenho a impressão que esse não és tu
Vi-te chegar, mas a chegada não devia ser assim
O mar que invadia a areia do dia que chegou ao fim
Agosto que sonhei de tronco nu, era so um
Fugiu-me do olhar, já não te encaro
Todos me prometeram sol
Eis a razão do desamparo



