Chegava-me o cheiro do Tempo outra vez
Das folhas da secas que estalavam debaixo do sapato, na calçada
Enquanto eu subia a mesma rua mas numa nova madrugada
Abria-se a porta e contemplava-se a escada.
Que entre sombras me entoava uma velha melodia
Cheirava-se café no ar
Sentia-se a vida a passar como a tempestade
Veloz, intensa, quase sem dar a opotunidade
De perceber a direcção do vento
Sem oferecer a possibilidade de parar
Ou refazer algum momento.
Viver era subir cada degrau daquela escada.
E contemplar a jovem luz, pela janela do primeiro patamar
Os próximos talvez fossem altos demais, difíceis de alcançar
E no entanto quando dei por mim já estava no terceiro andar
Lá da janela via folhas a dançar e voar levadas na paixão do vento
E mais um dia veio, p’ra ficar um dia.
Um longo dia, um dia tão fugaz na cor dos outros dias.
Eis que o o peito explode de alegria.
Somam-se os anos de magia à brisa matinal
Tão confortavelmente fria
E o correr do tempo me parece simplesmente genial
Abrem-se as mãos pr’a receber
Que a vida passa a correr
Como quando eu corro atrasada p’ró trabalho
Rua abaixo, marcando ritmo, de sola rija na calçada
Há tanto por acontecer…
Eu não resisto à vontade de agarrar
A alma quer sentir, o corpo quer andar.
Ainda antes de adormecer.



