Publicado por: almofadas | Janeiro 15, 2010

Regresso à chuva

Sentia-a me a derramar sobre a terra caindo em cada gota de chuva que se desmancha contra a tijoleira do pátio, cor de tijolo, obviamente, que vejo da minha janela, Sentia a dominância do céu cinzento contra o verde dos pinheiros, e o peso dos dias molhados sobre os telhados das casas. Havia uma tranquilidade tal no meu olhar como se parada numa passagem de nível olhasse um comboio que passa. Silênciosa espectadora do efectivo. Pois deixa chover então, tal como tudo o que acontece mais tarde ou mais cedo a chuva acabará por levar consigo todas as preocupações que trás, todo o incomodo que causa. Ficarão apenas as ervinhas cintilantes sob uns raios de sol que haverão de vir, e as raízes saciadas de todos os  seres verdes.

Entretanto ela faz o seu trabalho, rega a terra batizando o novo ano repetidamente. Amada e odiada ela, lava e suja, ergue e distroi, ela mostra-nos o seu poder perante a nossa insinificância. Na sua união legítima com o vento, faz noitadas atrás de noitadas, varrem telhados e esquinas, aparecem sem avisar e abandonam-nos sem avisar quando voltam. O céu cinzento vai pressistindo, aguçando os tons molhados abrindo as comportas dessa barragem onde a água se acmula em remoinhos de gás até se verter sobre a terra, noutro estado. Entretanto carruagens passam mesmo à minha frente, não me atraso nem me apreço, é uma planície crusada por uma linha férrea, quando o comboio passar eu sigo.


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