Publicado por: almofadas | Maio 21, 2010

Vou-te contar

Há arrebatadoras ondas lá ao fundo , e um olhar de alguém

Um mar azul, esconde-se por detrás dessa cidade

E esconde a areia amarela da baía

Alguém alheio que habita outro mundo

Surgem na véspera recantos estranhos

São patamares movediços e labirintos de cristal postiços

Rebenta uma onda no rochedo, enche o ar de água fria

Interrompendo a brisa leve da loucura

Surge no escuro uma mão que me procura

Luzes semicerradas contra a realidade

Palavras murmuradas ao ouvido

Aves marotas desta espuma que enrola

Não são gaivotas, tecem cantarolar de rola

Que desce em espiral sobre o pinhal obscuro

Onde se abre um rio p’ra receber a vaga

Surge um ar mais puro, um respirar tranquilo, cuidadoso

Na sombra de alguém que se afasta sorrateiro

Estremece esse ar e o olhar, pelo tremer da mão que paga

Com a moeda só do mealheiro

E escorrem dos rochedos as sombras dos segredos

Embaraçando meus e outros medos

Tingem a transparência fugaz da onda que não vai voltar atrás

Em linhas soltas que reúnem espaços, cruzam-se braços

Enche a banheira, água em cascata de uma torneira espalmada

Quebra por fim a cúpula rachada, rasgam-se laços

Afogam-se estilhaços da infância pintada que gritam onde nada está perdido

O seu desejo, o seu pedido, a sua salvação imaginada

Há tratamento para esta ferida. Há ondas solitárias no horizonte. – Queres que conte?


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