Publicado por: almofadas | Maio 27, 2011

amarelo ao cubo

Eu estva numa sala amarela. Era uma sala quadrada mas não tinha portas nem janelas, nem contornos das paredes, nem cantos desenhados pela sombra. O amarelo era apenas a cor da sala não era  a sua luz. Eu estava no centro da sala mas não estava no chão nem no ar. Era um estado de consciência diferente em que o interior se apercebia do exterior apenas atravêz da cor e da forma circundante de um cubo do qual, apesar de não serem visíveis, se percebiam os limites. No interior porem não hava mais nada do que a percepção do exterior e a existência de um certo eu, naquele espaço. Não existia mais nada para além do espaço e para além de mim existia apenas o espaço. Eu era o único ponto de união entre esses espaços, era eu existente num ponto, em toda a sala amarela. Existia ainda o facto de eu ter um pensamento que me permitia apreender o que me envolvia, e uma consciência de que eu exista ali.

Não é que eu soubesse que ele era um cubo, mas apercebia-me de que o espaço tinha aquela forma. Não é que eu soubesse o seu tamanho ou tivesse a mínima noção de tamanho. Não é que eu conhecesse a definição de espaço ou ponto. Não é que soubesse que existia um eu. Era algo que acontecia somente no momento em que acontecia. A minha existência no espaço amarelo não se baseava nem no início, nem na continuidade. Não se colocavam as perguntas como, porquê, quando ou onde. Era mais do que um vazío e quase uma inesisência. Nada disto estava certo nem errado.  Existir era mesmo muito simples não fosse essa existência limitar-se a apenas a um dos planos possíveis. Entre mim, e o quarto amarelo, existia o quarto amarelo comigo. Se a sua existênca fosse longa, ao ponto de se aperceber que ela era longa, acabar-se ia por questionar a causa de tal evento, o mesmo aconteceria se ela deixasse de existir. Será que eu continuaria a ter consciênca de mim noutro local ou desapareceria também.

Isto durava pouco tempo, rápidamente eu voltava à terra, porque apesar de haver um total nexo no meu raciocínio, ele já mais poderia existir dito por palávras. Porque ele não conhecia as palávras. No entanto, algumas imagens criadas pelas palávras eram capazes de o descrever permitindo a outra pessoa imaginá-las encontrando dentro de si algo básico ao ponto de se identificar com elas. De qualquer forma isso não a levaria a nada. A minha cabeça saltava entre esses três pontos e o resto parecia uma amnésia brutal, Não pelo facto de não existir mais nada, mas pelo facto de ser impossível de pensar em tudo isso. Era um ponto longe de tudo que não interesava a mais ninguém a não ser a mim mesma, e falar sobre ele não faza obvamente nenhum sentido.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: