Publicado por: almofadas | Maio 30, 2011

Por vezes sem conta

Não era nada sobre o quadrado amarelo, ou cubo, ou lá o que era. Não era nada disso que eu queria contar. Era ele ali  trabalhar, naquela sala, de volta daquela nave espacial. Mas não era nave nenhuma, era apenas um servidor. Ele nunca me escondeu isso. eu é que tinha imaginado. que era uma nave. Quanto ao servidor, ele sabia apenas sobre o seu funcionamento. Quanto à informação que nele estava contida alimentada por todos os computadores daquela instituição que se dedica somente ao estudo, compreenção e consequentemente à manipulação daquelas mentes infantis. Ele nunca me disse que eu estava apenas deitada sopbre uma cama numa sala iluminada, com ventosas ligadas ao meu corpo, a aparelhos ligados ao computador, ligado ao servidor. À nave espacial que apenas ele sabia conduzir. Bolas! Não era nave espacial nenhuma, e a minha presença ali era impossível. Pois eu estva apenas deitada, apenas imóvel, como um livro aberto no púpito. Blá, blá, blá. Apenas nada acontecia. Eu tinha que partir. Estava à minha espera a paragem do autocarro num arua movimentada da cidade. Junto ao jardim, na estrada enfeitada de semaforos e passadeiras. E eu ali sentada em frente à janela num sofa velho. A lúa estúpida e redonda lá fora  a olhar para mim.

Eu levantei-me e  cheguei a ele tentando olhá-lo nos olhos. “Eu vou-me embora soava-me na mente. Eu respirava lentamente segurando a ansiedade.  Depois simplesmente parti sem lhe dizer mais nada. Já não me interessavam os repetidos episódios e tentativas de fuga. Ele dizia que era impossível eu partir, pois eu nem sequer estava ali com ele na sala do servidor. Ele dizia-me que a minha presença com ele era apenas fruto da sua própria imaginção. E eu sabia. Eu lembrava-me daquela noite em que nos arrastavam catalogando como provas as nove caixas de madeira, tiradas do sótão do chalet abandonado. Eu lembrava-me da sala de triagem confusa e escura, depois a luz nos olhos, as ventosas no peito e beliscando as fontes. Carrinhos com máquinas quadradas, mesas e prateleiras, elevadores, marquesas, diferentes ondas cerebrais. Era na presença dele que me sentia desde então. Qual seria a informação que continha aquela máquina gigante nesta sala alta sobre o telhado suportado por vigas de madeira grossas. Ele não tinha respostas para mim. Isso era absurdo, porque era ele que recebia a informação, era ele que a copiava e catalogava. Era ele que inseria os códigos para que os dados se agrupassem em tabelas e criassem gráficos para que outras pessoas os pudessem analizar. A consciência estava ali em frente a cada um dos ecrâns dos compudadores espalhados pelos departamentos de estudo. A análise e a compreenção. Na sala de reuniões, nos corredores e nos elevadores. Eu queria sair pela janela e evitar aquilo tudo. Afinal de contas se era apenas para eles saberm, de que me servia isso tudo. A minha grande oportunidade de contribuir para o aumento da sua consciência sendo um notável objecto de estúdo. Era mais o que faltava. A minha partida não era uma decisão nem uma escolha, era a única possíbilidade


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