Publicado por: almofadas | Agosto 23, 2011

Na minha pele um grão de areia

Falava forte!

Em largos passos avançava

Cercava pelo Norte, de núvens o negro céu onde eu dançava

Na luz vermelha da cidade, poucas estrelas respiravam

Pousava sobre o fundo de um poço,

A folha antes seca, agora ensopada

Faltava-me o ar de madrugada

Choravam os meus olhos pelo mar

Perdia-se na solidão a minha mão

Que segurava algo meu que lhe faltava

A emoção de baloiçar como a folha seca

Nas poças pela estrada

Perdiam-se as lágrimas pelo suor da almofada

Jogava-se de certo pela minha vez outra jogada

E o olhar corria pálido pelos objectos

Em busca de afectos

Movia-se ainda o corpo (meu?)

Na direcção do dedo apontado

E o cabelo

Ao sabor do medo

Embaraçado cada sonho

Pela realidade deste pesadelo

Eesgotavam-se as horas na cúpula do tempo

Onde caía grão a grão o fio de areia

Eu segurava-me no ar à teia da aranha

Sem esforço vão, nem artimanha

O vento frio fazia-me dançar

Pulçava-me o coração em cada veia

A recordar a lua que me fez brilhar

Um pensamento preso no azul do mar

Parecia ser razão para continuar

O fumo espalhava-se na alma barrado em unguento

Sarava parte deste sofrimento

Prendia-se na pele o tempo enfeitiçado na areia

Escondia-se em peito firme o lamento

Fechado a cadeado na dualidade da compreenção…

Mais uma casualidade

Que fez soar no túmulo o hino pela liberdade

E eu prendia-me ao chão

Só ele nunca me falhava

Talvéz chegasse mais depressa do que se esperava

A hora de se abrir o coração

Mas por enquanto o meu peito respirava oco

Um ar repleto de poeira levantada

Num remoinho louco

D’eléctricos impulços do meu pensamento

Partículas de lixo tóxico pulverizadas de cimento

E misturadas na gravilha do betão

De que se construiu o fundamento

Se tudo fosse resumido à simplicidade entre sim e não

E se editassem dicionários, sem mas, talvez, e sem senão

Se a vida me guisse pela mão

Por linhas resctas, paralelas, sem diagonais

Eu saberia a resposta à pergunta “Então?”

Agora “Pés no chão!!!”

Falava-se tão alto que se berrava

Mas a verdade enganava a razão

E cada linha recta cruzava-se com linhas de uma multidão

Mas nunca se chegava a abrir o coração

Mais uma vez perdiam-se s lágrimas pelo suor da almofada

Até a noite se escrever na história

Como noite passada

Trazendo à memória, a existência de uma estrada

E o desconhecido a chamar

E eu que queria simplesmente descançar

Só que o tempo não parava

Chegava o Agosto nublado e chuvoso

Tão caloroso como a minha alma

Pois não te atrevas a pedir que me mantenha calma

Não foi assim que eu te conheci

Nem foi a chuva, ou o nevoeiro que me fizeram ver a luz em ti

Eu tenho a impressão que esse não és tu

Vi-te chegar, mas a chegada não devia ser assim

O mar que invadia a areia do dia que chegou ao fim

Agosto que sonhei de tronco nu, era so um

Fugiu-me do olhar, já não te encaro

Todos me prometeram sol

Eis a razão do desamparo


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