Eu gasto o meu tempo de escrita em pensamento. Sento-me e oiço o vento, observo as estrelas. Perco-me nos sons das coisas que me rodeiam. E penso, penso intensamente em palavras que formam frases, converso e passeio. E quem me faz pensar senão os pensamentos que conheço. A graciosidade de viver e a demência que empapa a continuidade. Os pássaros, o cochichar ou o estalar das canas e os pinheiros a saudar a brisa. Sente-se tão facilmente a amplitude do que está além de mim, de olhos fechados, a ouvir os sons. Se sou tão insignificante e pequena o que importo eu, por que motivo quero viver e lutar pelos meus princípios. Que estranhas criaturas somos nós seres humanos, se para o equilíbrio do planeta o nosso desaparecimento seria indiferente, já para não falar do universo inteiro. Porque nos preocupamos tanto com  a nossa dignidade ou aparência, porque é que há tanta coisa que nos incomoda, que nos distrai ou nos atrai. A derradeira questão? Qual é o nosso propósito. Porque é que isso nos interessa se apesar de todos os esforços tentando controlar a nossa vida, confiando e desconfiando, apreciando e desapreciando, querendo. A vida leva a sua avante e no final o tivemos que fazer o tempo todo foi lidar com o que nos aparecia à frente no momento, que por vezes não era nada, outras era exactamente o que se queria, muitas vezes era demasiado, mas quando passava era tão pouco, tornava-se tão vão, se eu não o tornasse perene. É por isso que que escrevo, apesar de não escrever. Apesar de sentir que, o que escrevo não passa da “cepa torta”, e não tira conclusões. Penso logo existo, deveria chegar para mim mas quando mergulho na imensidão do espaço onde coexisto com outros seres pensantes sinto  a minha imagem a desaparecer, o meu pensamento a fundir-se. Como posso provar que ele é meu, talvez se percebesse algo que não entendo e sentisse que tenho a resposta que procuro.

Quem é a minha mãe? Criada pela minha avó Liuleka, criada pela minha bisavó Babanha oito irmãos, todos mais velhos que Liuleka.                                A Babanha reflectiu o pensamento dela na Liuleka, e ela reflectiu-o na minha mãe, que  o reflectiu em mim, e eu vejo isso. E o meu pai? Que eu perdi quando era pequena e reencontrei  mais tarde aos oito, e de quem conhecia nada, sem ser o facto de que era meu pai, e porquê? Porque vejo o reflexo dele em mim. E o meu irmão que teve a missão designada pela mãe, de me criar e proteger. Como é que possível eu ver em mim o reflexo das outras pessoas e não me ver a mim. Eu estou lá no meio das aldeias, a descobrir com o Anton e a Sasha, Alissa é o meu nome. Eu estou lá vestida de negro, de livro na mão a desfocar na visão as chamas das velas, o meu nome é Vassilissa, Alguém a conheceu. Como é que te chamas? – Alice. – Alice, a sério e como és Alice? Não sei, eu faço, sou como faço. Mas ninguém me vê da mesma maneira, o que importa como eu me vejo. Se cada um me faz olhar p’ra mim de forma diferente. Só tenho a respiração, só. essa é minha.

Eu estou aqui, mas é como se não estivesse. É como se estivesse para outro tempo, como se estivesse à espera ainda. Sinto que tenho raízes em todo lado mas que não tenho tronco. Receio que seja ilusão mas penso que ele existe algures e que já falta pouco para o encontrar.

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2 thoughts on “porque não escrevo

  1. fiz uma edição, ainda antes de ver que tinha sido comentado. senti que me tinha perdido no significado do que escrevia.
    Mesmo apesar de não conseguir terminar o raciocínio de um parágrafo num só dia, eu esforço-me para encontrar a forma de passar a mensagem.
    Obrigada pelo comentário. É bom saber que alguém apreciou o pensamento. Acho que a composição ficou melhor agora 🙂

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