Publicado por: almofadas | Novembro 9, 2012

lembro me de me sentir tão triste e tudo em vão

lembro-me de me sentir tão triste que podia morrer, mas não morri. Lembro-me de continuar a jornada tão cansada que parecia que ia tombar, mas não tombei. Lembro-me de querer acreditar tanto, em que a vida iria mudar e iria deixar de se assimilar a uma anedota, a uma brincadeira de mau gosto que alguém inventou sobre mim, lembro-me de me faltarem as forças de tal modo que mal conseguia encher o peito de ar. Lembro-me de me sentir tão só que não era capaz de falar com ninguém. Lembro-me de me sentir tão confusa que já nem conseguia articular o pensamento. Nada fazia sentido o percurso que eu acreditei ser interessante era uma desilusão, eu que acreditei ser algo, outra desilusão era. lembro-me bem demais e mesmo que cante ao corvo negro que não rodopie sobre o meu corpo que não serei sua presa, lembro-me bem demais como se tivesse sido há vinte anos, como se tivesse sido há dez, como se tivesse sido há cinco, como se tivesse sido há dois, como se tivesse sido o mês passado, ou a semana passada, como se tivesse sido ontem, como se ainda agora me sentisse assim. 

lembro-me de me sentir tão tímida, como se o mundo fosse gozar comigo, lembro-me de gozarem comigo e de me rebaixarem, lembro-me de nunca ganhar coragem, lembro-me de me sentir à beira da loucura vezes e  vezes sem conta, lembro-me de estar apaixonada e não poder contar a ninguém, lembro-me de reunir coragem e depois ser questionada e de não aguentar. lembro-me de não aguentar tantas vezes que já nem sei como é que ainda continuo aqui. lembro-me devagarinho de deixar de acreditar nas coisas mais do que uma vez. Lembro-me de voltar a acreditar em algo que não valia a pena, e de acreditar em algo que todos têm o direito de acreditar como deus, e de deixar de acreditar novamente. lembro-me de me esforçar muito e de não chegar a lado nenhum. Lembro-me de entrar numa batalha e de sair ferida vezes sem conta. Lembro-me de não aguentar, de estar quase a não aguentar. lembro-me de voltar sempre ao mesmo caminho e de sentir que nem um passo passei. lembro-me de querer cair. Lembro de me sentir senti tão triste que podia morrer, mas não morria.


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