Publicado por: almofadas | Março 28, 2014

Cemitério de São Mamede

O nevoeiro denso espalha-se entre pinheiros escondendo os ramos altos como uma cúpula espessa. Entoando mistério, estende-se uma estrada cinzenta para o desconhecido silêncio branco. Soam os passos pelo alcatrão, deixando para trás a aldeia surge uma jovem, andar firme, mãos nos bolsos, olhar distante, música na cabeça. Os seus passos entoam a batida um atrás do outro, percorrendo caminho para desaparecer novamente no nevoeiro. A estrada desce atravessando o pinhal, corre um ribeiro lá em baixo, não há vento, as ervas não mexem, o mundo parece um fragmento esquecido de tempo e no entanto estalam ramos entre a caruma húmida, como se alguém a observasse, como se alguém a seguisse. Ela passa a ponte, alguém pisou a água, mas ela não ouve, ela ouve apenas a música.

Segue estrada acima, apressando-se olhando as horas. Do nevoeiro revela-se a igreja redonda como se viesse do oculto. E ela passa por ela como se não notasse, e não repara que alguém a olha do alpendre da igreja. Não sente o chão a vibrar aos seus pés, o alcatrão a mexer quando passa. Ela não se apercebe dos vultos que se erguem nas suas costas, mas uma sombra segue-a pelo chão cercando-lhe o andar. Ela para subitamente e olha para trás.


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