Publicado por: almofadas | Janeiro 4, 2016

Devaneios

Hoje quero desistir! Não da vida, mas da vida que levo. Quero largar tudo. Quero quebrar. Quero lançar ao vento de uma vez por todas, tudo apenas tudo. Só para saber se alguma coisa fica. Apetece-me esquecer e virar as costas a todas as costas que da minha vida fazem parte. Apetece-me ser desagradável porque de agrados levo o papo cheio e não me nutrem. Basta que bastasse! Nao existo mais hoje. Mais um pedaço morto de mim que se perdeu pelo caminho. Mais um pedaço que não interessa que caia e desapareça. Só queria saber se depois de dar tudo alguma coisa fica. Só queria dizer a quem me ensinou a dar que depois de dar tudo nada sobra. So queria dizer a quem pensa vir beber do meu poço. Secou! Sobrou apenas o vazio que quando levado com o vento a ninguém importa. Porque a vocês  que tanto me amam so importa que eu sorria. O que posso eu fazer se ja não ha sorrisos.  Eu avisei, eu disse já não aguento. Eu não minto! Ensinaram-me a não mentir. Morreu a alegria, morreu a tristeza e o desespero, tal como a esperança assasinda nos passos da não concretização. A bondade também nao sei onde foi, aniquilada pela indiferença. Antes eu era gratuita. Antes existia só por existir. Fazia só por fazer, acreditava só por acrditar.  E tinha vontade e entusiasmo. Antes acreditava que se eu acreditasse todos acreditariam. Agora já não sei de mim, aquela que acreditava morreu, moŕreu aquela que amava gratuitamente. Morreu aquela cujos braços se erguiam para ajudar a quem apenas precisa. Morreram os braços, morreram as pernas que seguiam em frente.  Tudo se foi e nada sobrou. Todos me dizem sorri. Sorri! Morreu o sorrizo. Todos me dizem faz. Faz! Morreu a vontade. Dei tudo o que tinha para dar. Lancei ao vento o que sobrou, e  no final nao sobrou nada. Só  o vazio ecoado pelas palavras: faz, quero, dá-me, onde está, compra, resolve, consegue! Hoje desisto! Desisto de uma vez por todas de ser forte. Não sou forte, nunca fui forte, nunca serei forte! Sou apenas eu sem mais nada aqui dentro.  Sem dúvida, sem força, sem vontade, sem carinho, sem mãos, sem direcção e sem destino. Sem nada. Deixem-me só, não tenho mais nada.


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