Publicado por: almofadas | Março 27, 2016

não tenhas pressa de morrer

Não tenhas pressa de morrer, dizia-me a minha avó pegando-me na face com ambas as mãos, e olhando-me nos olhos, com tanto carinho. Eu nem sabia que nos olhos de alguém pudesse existir tanto carinho. Eram dois olhos azuis, e tinham tanto amor como dois planetas inteiros. Eu olhava para ela, ainda tão pequena e frágil, as suas mãos eram enormes e seguras. Naquele momento tudo era possível. “Mas se a morte é um destino inevitável, para quê o caminho da vida?

Eu estava sentada no chão, numa das alamedas do parque sózinha e com frio, como sempre. Desta vez estava sentada no chão encostada a um banco de jardim, com a cabeça deitada nos braços apoiados sobre os joelhos. O Cachorro apróximou-se e enfiou o focinho entre os meus braços, lambia-me a cara e as orelhas, lâmbia as lágrimas que caiam e dava-me carídias com o seu nariz húmido e frio. Vá-la! – dizia-me – Não fiques aí. Lambia-me e dava-me dentadinhas nos braços, com muita dedicação. empurrava-me os ombros com a nuca e chamava-me raspando com a pata. Anda daí! – dizia-me. E lambia-os meus olhos repletos de lágrimas de felicidade e amor. Abracei-lhe o pesoço, agarrei-me a ele com tanta força. e ele esperou… Esperou que eu sentisse tudo o que havia para sentir até ganhar coragem para me erguer do chão e continuar a caminhada na direcção do mar.


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