Publicado por: almofadas | Maio 18, 2016

Sou mesmo eu enquanto duro

 

Entendo algo agora que não via,

E vejo algo que ainda não entendo

E é com este não saber sabendo,

Que em pecado levo uma vida pia.

 

É a loucura que em mim eu amo,

Quando a raiva se transforma em ternura

Criando esta deslumbrante arquitectura,

P’la que foi construída a minha alma.

 

À beira do abismo vejo o voo leve

Que me há de levar mais adiante,

Embora não esqueça o instante

Do fúnebre percurso que a alma teve.

 

Apontam-me o mal que faço e depois me dizem bela?

É um vento forte que me deixa alma escassa

A culpa que me apunhala e trespassa

É mesmo assim a vida tudo vem com ela

 

É porque sinto algo em mim de novo e farto.

Tão pleno, contumaz, e tão esbelto

Que me faz avançar para longe ao perto,

E eu para nova vida novamente parto.

 

Mesmo vivendo na nudez da pálida esperança

Descubro novos meios de sobreviver,

Fintando o desejo é morrer.

Amando o corpo que demais me cansa!

 

Sou lágrima do meu olhar, que escorre

Pela face em sangue, já de outras serem.

Digam aquilo que quizerem!

Mas não percam tempo, pois a vida corre!

 

E mesmo que eu sinta a alma morta

O júbilo se ergue, e algo em mim, me serve fielmente,

Trazendo a água que me reanima lentamente

E me obriga a continuar, a procurar a porta.

 

Quando o portão se abre entra a desordem

E o segredo é saber consolidá-la,

É conseguir ver cada pormenor ao contemplá-la,

É a desordem que me faz buscar a ordem.

 

Por vezes sinto me feliz, mesmo não sendo

E sei que sei contudo não sabendo nada.

Por vezes vejo o mundo da janela, que por fora foi cerrada.

Sei que existo, e mais de mim não compreendo.

 

Um trépido luar gelado invade o meu consciente,

A lua ilumina o caminho, pouco confiante

Porque de mim por vezes sinto-me distante,

Sem me afastar porém, pois não sou eu provavelmente.

 

Gosto de ver as coisas claras,

Sem confusão, assim como elas são

Estou quase certa que caminho aqui em vão,

Pois os que me rodeiam usam máscaras nas caras.

 

Tal como outros, eu também ignoro a personalidade

A máscara também não me é alheia,

Mesmo que possa parecer, por vezes feia.

Eu fujo da realidade para mim e de mim mesma para a realidade.

 

Ainda assim, que de mim eu porventura mostro

Sou Mesmo eu enquanto duro,

Mas nada tem a ver com aquilo que procuro

Pois não consigo demonstrar aquilo de que realmente gosto


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