Publicado por: almofadas | Maio 19, 2016

Sou Fiel

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Palavras soltas no vazio,

Bonecos abandonados pela casa

Perdendo o interesse de voar sem asas

Caíram sobre o chão do desespero frio

Como a água derramada em cascata

Sobre a rocha dura e gelada.

E não vieram verbos teus ferir-me a alma,

Foi no silêncio que me cortaste a pele macia

Na solidão esfreguei as mãos saradas

E levantei-me sem perder a calma

Tentando perceber o que sentia

Esse olhar que afasta e  esconde

Esse teu modo de amar

Dissimulando um fedor amargo

Apenas observei para onde ias.

Em passo largo, assumindo o cargo

E como me olhavas

Enquanto em mágoa silenciada, me erguia

Do pó, do ar, da água fria

Vejo-te ratazana embriagada

Vejo-te nêspera caída na calçada

Cerras os olhos, Entesas as narinas

Fico calada e de olhar nos cumes

E não me interessa o teu ódio ou tesão

Se estás distante do teu coração

És um carimbo sem papel

És um cartaz publicitário colado na fachada

Não justificas que levante a espada

Pois sou cruel!

Sou víbora impiedosa e danada

E já me fiz à estrada

Sou eu desempenhando o meu papel

Pois sou fiel…

O resto não importa nada!

Alice, Fontanelas 2010


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