Aldeia de Broas

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Noutros tempo a vida fervilhava à sua volta e na sua sombra reunia-se a aldeia abrigando-se do calor da tarde. Sobre as pedras de entre as quais se ergue o seu tronco sentavam-se os anciãos e contavam histórias aos jovens, de outros tempos ainda. As casas de pedra abrigavam os aldeãos que nos recantos hoje cobertos de mato viviam as suas vidas simples. Outrora ela vira a vida a nascer, as casas a serem erguidas, campos lavrados e semeados por mãos trabalhadoras de camponeses saloios. Ela abrigou-os e foi amada, amada por uma aldeia inteira. Hoje só lhe restam as pedras das casas sem telhado cobertas de amora silvestre, os campos escondidos sob as ervas daninhas, caminhos abandonados. Ruínas da vida de outrora, soando em todas as pedras e nos arbustos que invadem as habitações desabitadas. Resta-lhe a visão das povoações noutra colina, e das estradas alcatroadas que ao poucos levaram de si aquela vida de que foi padroeira, os camponeses simples, as suas crianças, as galinhas e os cães, os gatos, os burros e as ovelhas. Agora só, no silêncio quebrado pelo rosnar da auto-estrada algures atrás da colina. Só, sem atenção nem amor, sem a alegria humana, sem o quotidiano rústico que lhe deu sentido.

Outrora a padroeira da aldeia… De uma fenda no seu tronco escorre agora a sua seiva, ou sangra, ou chora… Respira e cresce em memórias de outrora.

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